Como estudar para resolver provas discursivas

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Atualmente, praticamente todas as provas de concurso vêm com uma prova discursiva (redação, estudo de caso ou elaboração de peça judicial/parecer/sentença). Sendo assim, é preciso dedicar parte do seu tempo para um estudo direcionado a esse tipo de prova. Vejamos algumas dicas importantes:

1) Material de estudo

Geralmente, os livros, apostilas, resumos e sinopses que o candidato utiliza quando de seus estudos para prova objetiva são também úteis para demonstrar, na prova discursiva, que o candidato tem conhecimento e conteúdo que o qualificam a obter o cargo público almejado.

No entanto, pode haver algumas particularidades. Por exemplo: uso de conteúdo gerado pelo examinador da banca, o que é mais comum em concursos para carreiras jurídicas (juiz, membro do MP, defensor público, delegado e advogado público). Se, por exemplo, sabe-se que o examinador em Direito Constitucional tem predileção sobre o tema “Poder Legislativo”, é óbvio que, além de estudar mais sobre isso, é muito importante ler livros, artigos e/ou petições, pareceres ou sentenças/acórdãos elaborados pelo examinador.

2) Caligrafia e organização do texto

Não adianta escrever um texto de excelente conteúdo se sua letra é ilegível. E não dá pra argumentar que “minha mãe entende minha letra”! Seja autocrítico, mas também ouça a opinião de outros colegas e professores. Peça que sejam sinceros: eles estariam dispostos a ler até o final as 30, 60, 150 linhas que você escreveu?

Não há nenhum demérito em voltar à livraria e comprar o bom e velho caderno de pauta dupla que você usou nos tempos de alfabetização – ou de primeiro ano do ensino fundamental, se você já é precoce no mundo concurseiro, hehe!

Veja que letras suas são incompreensíveis, se escreve com uma “fonte” muito grande ou pequena, muito ou pouco espaçada/inclinada. Corrija o que for necessário. Se necessário, opte por letra de forma, diferenciando maiúsculas de minúsculas.

Um texto que agrada, de cara, o examinador é aquele em que ele não tem de “decifrar garranchos”. Além disso, uma boa organização do texto, com paragrafação correta, pingos nos “is” e acentos gráficos bem vistos facilitam o trabalho dele e podem lhe render bons pontos.

Quanto às rasuras, em regra não se permite borrá-las. Basta um traço como esse: exemplo. Depois, continue a escrever.

Agora vejamos duas ótimas dicas dadas pelo Prof. Gerson Aragão nesse vídeo:

3) Objetividade na resposta

Não adianta muito floreio – o examinador gosta de objetividade e assertividade na resposta dada pelo candidato. Por exemplo, no enunciado “o que é X?”, pode-se até fazer uma breve introdução antes de ir pro cerne da questão, mas não seria interessante também dizer logo “X é isso” e depois partir pra sua abordagem histórica, de classificações etc?

Isso é importante até porque muitas vezes usam-se várias linhas para tratar de um subtópico, quando, na verdade, o tópico que pontuava mais foi tratado em duas ou três linhas, de forma que o candidato não obtém a pontuação cheia do item mais importante.

Nesse sentido, estude considerando o chamado “espelho de resposta” – analise quantos pontos se destinam a aspectos introdutórios, de fundamentação e conclusão.

4) Fundamentação da resposta

Além da objetividade, o examinador aprecia que o candidato, mesmo que em poucas linhas, fundamente sua resposta com base na lei, na doutrina e na jurisprudência.

Exemplo: na pergunta “o que é X?”, responde-se: “X, segundo a doutrina majoritária é isso. Porém, o entendimento consolidado pelo STF na súmula 000 vai em sentido contrário, concluindo que X é aquilo”. Mesmo que seu examinador queira que você siga o entendimento majoritário ou minoritário, é importante mencionar a outra conclusão – isso destaca o conhecimento do candidato.

Busque sempre mencionar, se tiver acesso ao vade mecum, em que artigo ou súmula o tema é mencionado. Em regra, não é bem vista a transcrição literal do texto. Diga com suas palavras. Ex. “segundo o art. 000, do CPC, X é isso”.

5) Atenção às regras gramaticais

Mesmo que o conhecimento de ortografia, semântica e sintaxe não seja o foco principal da correção da prova, ela sempre será relevante. O corretor não ficará feliz ao vê-lo escrever “essessão” em vez de “exceção” ou “a moça sentou na mesa” ao invés de “a moça sentou à mesa”.

6) Treino simulado

Faça treinos simulados de redação, considerando a mesma quantidade de tempo e a permissão/vedação à consulta de legislação.

Evite escrever o texto integralmente e depois repassá-lo à folha de resposta, seja na simulação, seja na prova real. Isso tomará bastante tempo e você poderá ter a ingrata noção de ser reprovado por falta de tempo na transcrição.

Na folha de rascunho, liste os tópicos a serem abordados, já procurando eventuais menções à lei, à jurisprudência e à doutrina.

Ex: “X” – conceito no art. 000, do CPC – doutrina diverge (Nery Jr x Didier) – STF segue corrente majoritária (vide súmula 000).

Depois disso, parta para a redação, com calma, prestando atenção à pontuação, paragrafação e outros elementos estéticos e gramáticos. Se possível, separe sua resposta por tópicos e subtópicos. Ex. I – Dos Fatos; II – Do Direito; II.1 – Das Preliminares; II.2 – Do Mérito; III – Do Pedido.

Faça seus treinos utilizando provas passadas da banca e do cargo desejado, bem como participando de cursos presenciais, telepresenciais ou online específicos para a carreira almejada. “curso de 2ª fase para o MP do Estado tal”; “curso de redação para analista e técnico de TRT” etc.

Caso ainda tenha alguma dúvida ou queira partilhar sua experiência com os estudos para prova discursiva, comente aqui embaixo!

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