Como conciliar faculdade e estudo para concursos

Tempo de leitura: 7 minutos

Uma das coisas que quase todo concurseiro já formado se arrepende de não ter feito é ter iniciado seus estudos para provas de concurso público ainda durante a faculdade, a uma, porque a maioria não conseguiu fazer uma boa base, isto é, acumular conteúdo suficiente para fazer provas de concurso ainda na faculdade e, a duas, porque acabará passando um bom tempo revendo tudo aquilo que deixou de estudar ou mesmo nunca estudou.

É preciso destacar que, apesar de convergirem em alguns pontos, as linguagens e metodologias de ensino e aprendizagem quando se estuda na faculdade são bastantes distintas dos cursinhos e livros destinados a concursos públicos. Há críticas por parte da Academia em face dos professores e autores de obras pra concurso público e vice-versa, o que não nos cabe comentar nesse momento.

Se, portanto, você, universitário, está lendo esse texto agora, independentemente de que semestre letivo está cursando, certamente já estará ficando à frente de muitos de seus colegas de faculdade que desejem ingressar em algum órgão público.

Vejamos, agora, algumas dicas, baseadas em um vídeo do nosso canal do Youtube e em outras experiências dos autores desse blog.

 

1) Saber distinguir os estilos diferentes de estudo

Como dito acima, o discurso acadêmico e a forma de sua cobrança em provas universitárias pode ser bastante diferente do cobrado em concurso público. Em regra, no primeiro caso, exige-se maior conhecimento de doutrina, inclusive quando esta é contrária ao posicionamento dos tribunais superiores ou outros órgãos.

É disso que advém a grande dificuldade da maioria dos concurseiros de ler a “lei seca”, o que está previsto no Código, pois estão acostumados a estudar grandes manuais e coleções de livros. Geralmente, o professor universitário não dá tanta importância à letra fria da lei, priorizando a opinião da doutrina. Quando ele tem obras publicadas, é quase certo de que o aluno deverá por elas estudar e nelas se guiar nas respostas, geralmente por questões dissertativas.

Por outro lado, a prova de concurso público exige alto conhecimento da letra da lei e, dependendo do cargo almejado, também da doutrina e da jurisprudência. A grande maioria dos concursos tem por principal prova a objetiva. A prova discursiva, tradicional em carreiras jurídicas, no entanto, tem ganhado cada vez maior importância em carreiras de analista. Em alguns, há também provas orais, pouco usadas durante a faculdade, salvo no caso de apresentações de trabalho que são bem distintas daquelas.

De qualquer forma, um estudante consciente de que almeja uma carreira pública poderá usar o melhor dos dois meios para sua preparação. Poderá saber dissociar, por exemplo, o que é um entendimento consolidado na doutrina, mas minoritário na jurisprudência, enriquecendo suas provas discursivas, demonstrando as diferentes correntes sobre um assunto e alinhando-se à posição que deseja a banca do concurso (geralmente o entendimento dos tribunais).

2) Criação de estratégia de análise de editais ao longo do curso

Ao longo dos estudos universitários, você pode verificar como a matéria que está cursando é cobrada em provas de concurso público.

Podemos comparar essa metodologia ao seguinte: provavelmente no período de matrícula e no início da disciplina, você busca informações sobre como age seu professor. Como ele cobra os conteúdos, se é muito rígido ou flexível nas correções e quais os temas daquela matéria são os preferidos dele e, portanto, com maiores chances de serem cobrados em prova.

O estudo estratégico para provas de concurso público ocorre de maneira semelhante, graças ao edital sintetizado. Analisando-se provas passadas, sabe-se que temas são os mais cobrados, seu grau de dificuldade e em que se baseiam (lei, doutrina ou jurisprudência).

Dessa forma, você já pode ir comparando como aquela matéria é cobrada. Vamos a um exemplo: digamos que na matéria de Direito Constitucional I de sua faculdade, cobre-se Teoria da Constituição, Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais. Verifique não somente como esses assuntos serão abordados por seu professor, mas também se caem no concurso almejado e com que incidência, grau de dificuldade etc.

Então, assim como o perfil do professor serve como um norte para o quê e como estudar, o perfil da banca e do cargo servirá para direcionar seu estudo para concursos.

3) Utilidade do estágio e de outras atividades extracurriculares

Não pense que somente o estudo para provas, acadêmicas ou de concurso público, lhe será útil para alcançar o cargo desejado. Outras atividades que você deverá desenvolver em faculdade podem lhe ajudar bastante.

Por exemplo: a grande maioria dos concurseiros escolhe a carreira para a qual deseja prestar concurso ao estagiar em órgãos públicos. Muitas pessoas que prestam concursos para Advocacia Pública, por exemplo, antes estagiaram numa procuradoria municipal, estadual ou na Advocacia Geral da União. Assim, caso ainda não tenha decidido que carreira seguir, busque estagiar em órgãos públicos, como Tribunais, Ministério Público, Defensoria, Delegacia de Polícia etc. para confirmar ou descartar a possibilidade de fazer futuramente concurso público para aquela carreira jurídica.

O envolvimento do aluno universitário em atividades de pesquisa, extensão e ensino, quando disponíveis em sua faculdade, não somente enriquece seu currículo acadêmico, mas pode lhe proporcionar experiências marcantes para definir que carreira quer seguir depois de formado, bem como se dar bem em provas de concurso. Por exemplo: digamos que você faça parte de um projeto de pesquisa sobre o funcionamento do Tribunal do Júri – certamente o conhecimento prático e teórico desenvolvido em faculdade lhe será útil posteriormente, seja em provas de concurso, seja na própria prática profissional.

4) Concurso público para quem não faz faculdade de Direito

Pra quem não cursa Direito, mas almeja cargos de auditor fiscal, analista ou técnico de tribunal etc., é importante que, caso curse alguma disciplina jurídica durante a faculdade (geralmente Noções de Direito, ou Introdução ao Estudo de Direito ou Direito Aplicado a(o) (nome do seu curso)), utilize as mesmas técnicas listadas nos itens 1 e 2 acima.

Caso não haja disciplina jurídica obrigatória em seu currículo, verifique se pode cursar alguma como disciplina optativa. Por exemplo, se cursa Engenharia Ambiental ou Ciências Biológicas, pode tentar se matricular em Direito Ambiental. Ressalte-se que se essa disciplina for ofertada numa faculdade de Direito e não na sua própria, pode ser que você se perca nas explicações, já que a grande maioria dos alunos da disciplina são do curso do Direito e, infelizmente, o professor pode não se importar em haver alunos ali que não compreendem o “juridiquês”.

Se nenhuma das duas opções acima é viável, nada impede que você, tendo tempo disponível para tanto, comece a formar sua base nas matérias alheias à sua área de formação ainda durante a faculdade, seja estudando em cursinhos ou usando livros e apostilas, desde que empregando um estudo estratégico, como o demonstrado pelas técnicas do Curso Método de Aprovação.

Por fim, é importante destacar: nunca é cedo ou tarde para estudar para concursos. Há casos de pessoas que terminam o Ensino Médio e já partem para concursos e de pessoas com mais de 50 anos sendo aprovadas em concurso também. Se possível, comece a estudar agora!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *